sexta-feira, 31 de agosto de 2012



VENTO

Quantas vezes,
Furioso,
O vento passa
De repente
Quebrando o silêncio
E devastando as casas!

Outras,
É apenas a brisa
Que em suas asas
Traz a frescura
E a alegria
Às nossas almas.

Norte, nordeste,
Sul, sudoeste,
Soprai, ventos, soprai…
E trazei-nos um tempo novo!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

          






                      CANTIGA DO COITADO

Catedral de
S. Tiago de Compostela 


Em Vigo
Perguntei às ondas:
- Sabeis Novas da minha amiga?
E as ondas me responderam:
- Um novo amigo tem!


Em Pontevedra
Perguntei aos barcos:
- Sabeis novas da minha amiga?
E os barcos me responderam:
- Um novo amigo tem!

Em Santiago
A Santiago perguntei:
-Sabeis novas da minha amiga?
E Santiago me respondeu:
- Um novo amigo tem!

TERRAS DO MUNDO




Alhandra,
antiga praça forte da indústria portuguesa,
é agora os "cimentos Tejo" e pouco mais.

PAVÕES



Temos a cidade invadida por outros,
cuja plumagem não pode ombrear com a destes simpáticos animais
do Castelo de S. Jorge.


SE EU FOSSE COMO CAMÕES

Se eu fosse como Camões,
Havia de te fazer,
Amor, versos geniais,
Muitas trovas de encantar!

Pintar-te-ia morena
E de outras cores sadias.
Blusa vermelha decerto
E calças de ganga azul.

Assim irias à fonte
- Discreta como se vê -,
Leda e bela ao meu encontro.

E haveria de deixar
Teu rosto ruborizado
Com mil beijos, mil ou mais.

 


O FASCÍNIO DA QUADRA

O governo da nação
Governa contra o país.
Nega a constituição
Ignorando o que ela diz.

Este governo trinta e três
Tem almas do outro mundo
Pelo que faz, bem se vê,
Que mer’cia ir ao fundo.







net
TEORIA DA QUADRA

Uma quadra bem urdida,
Em dia de inspiração,
Pode, se for atrevida,
Causar dano até mais não.

Eu quero estar sempre a salvo
Dos efeitos de uma quadra.
Tiro certeiro no alvo,
Faz pior que o cão que ladra

Quatro versos podem ter
Um final devastador.
É por isso, ‘stá-se a ver,
Que a quadra exige rigor.

Em tempos de roubalheira,
Uma quadra pode ser
A espingarda mais certeira
Para os piratas vencer.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

TERRAS DO MUNDO





MOURÃO-ALENTEJO-PORTUGAL

TERRAS DO MUNDO




MOSCAVIDE - Do outro lado da rua é Lisboa.

TERRAS DO MUNDO



O castelo e o espaço envolvente formam um conjunto
harmonioso, onde se pode passeare conviver.

DO MEU DIÁRIO


Santa Iria de Azóia, 29 de Agosto de 2012 – Ontem falou-se muito do ladrão português que assaltou um “troikano” armado em turista, viajando de eléctrico, lá para as bandas da Sé, na mui generosa cidade de Lisboa. E muitos portugueses, imensamente indulgentes, escreveram e disseram que “ladrão que rouba a ladrão, merece sem anos de perdão”.
     Eu acho que chamar ladrão ao sobredito “troikano” revela o nosso miserabilismo até em termos linguísticos. Porque terá estudos, penso que será mais apropriado chamar-lhe cleptómano, que é um vocábulo erudito com origem grega e latina, “à la fois”, respectivamente, “clepto” e “manu”, e que juntos significam furtar à mão.
     E aqui entre nós, na puridade, eu acho que nos querem rapar a RTP-1 para a darem a não sei quem, acrescida de uma maquia de muitos milhões de euros anuais, resultante de uma daquelas taxas que doem não doendo, das muitas que oneram a nossa factura da electricidade. Só que neste rapanço que nos estão a querer fazer, porque na verdade ainda não foi feito, o presumível futuro autor do mesmo rapa aos cidadãos, que, como é bom de ver, não são rapadores, na sua esmagadora maioria. E aqui não há perdão.

terça-feira, 28 de agosto de 2012


TENHO UMA QUADRA SINGELA

Tenho uma quadra singela
Pra te dizer ao ouvido.
Quando ta disser não digas
Que sou rapaz atrevido.

De hoje não pode passar,
Se não passa a validade.
Quero-te dizer, amor,
Que te amo de verdade!

Este amor é tão sincero,
Tão sincero e delicado,
Que já não posso, meu bem,
Tê-lo no peito guardado!

A noitinha à janela,
Vai ser grande a emoção,
Quando de forma singela,
Te falar ao coração.



SESIMBRA
1
Quando o sol te morder a pele
E sentires o chamamento do mar,
Não hesites. Vai.
2
O meu reino daria
Por uma varanda sobre o mar.

Em Sesimbra,
Pois claro!

3
A proximidade do mar me basta.

Infelizmente,
Falta-me o pulmão
Para o desafiar
Em possantes braçadas.

4
Nunca aprendi a nadar.

Ah, os pequenos nadas
Da já longínqua infância!

5
Talvez um dia,
mãe,
Te traga comigo a ver o mar.

… a Sesimbra.

Só então saberás
Quão bom seria
Saber nadar.





SESIMBRA




Quando irado o mar te zimbra
O povo e o casario,
Tu sabes bem, ó Sesimbra,
Lutar com bravura e brio!

 Quantas vezes, ó beleza,
Punida pelos vendavais,
 Te bateste com nobreza,
 No meio de gritos e ais?!

Linda princesa do mar,
Ó sedutora Sesimbra,
Tua beleza sem par
Só com o meu canto timbra!



 in FRAGMENTÁRIA MENTE, Ed. Alecrim, 2009


INSTANTES


Quando o sol –
O grande colorista de Cesário –
Inunda o dia
E os passarinhos
Dão concerto de piano
Nas roseiras
E nos arbustos
Do meu jardim,
Saboreio
Por vezes
A alegria.

É então
-Gozando as delícias da preguiça -
Que mais concordo com Adília.

O resto,
Obviamente,
É conversa.


in FRAGMENTÁRIA MENTE, Ed. Alecrim, 2009

O FASCÍNIO DA QUADRA

Aproveitar bem a vida
- Um programa para viver –
Saborear cada instante,
Da chegada até morrer.

DO MEU DIÁRIO

Valha-nos S. Thiago Calatrava
Santa Iria de Azóia, 28 de Agosto de 2012 – Amanhã, os veneráveis “troikanos”, funcionários de instituições onzeneiras, estarão de novo entre nós, a fim de avaliarem, pela 5ª vez, o estado calamitoso a que Portugal chegou, em matéria económica e social. Vêm ver o resultado das suas primorosas receitas, que o senhor Passos, que não é Manuel, tem exercitado com desvelo, nomeadamente no domínio das caldeiradas, que só já levam raia miúda.
     Eu não sou pessoa para matar uma mosca, ainda que não seja uma mosca morta, mas participaria de bom grado numa recepção a esses “troikanos”, para lhes dizer alto e bom som que metam as suas receitas num sítio que eu cá sei – e os meus leitores também -, que já fizeram mal excessivo à minha Pátria.
     Noticia hoje um jornal que um dos “troikanos” quis andar de eléctrico e que lhe palmaram a carteira. Nunca um ladrão fez trabalho tão perfeito e por mim merece cem anos de perdão. Não que o “troikano” pertença à classe dos larápios, que a criatura de Deus é apenas um empregado, provavelmente zeloso, de uma instituição cleptómana, mas para que conste por lá que cá também há quem tenha mãozinhas ágeis para sacar carteiras. Correndo mais riscos, correndo mais riscos.
     Os “troikanos” vão conceder a folga, que um tal Wolfgang Schauble, sem trema, acordou há meses com Gaspar. O pior é que os mandantes de cá de economia nada pescam e andam cegos de ódio a quem trabalha e cria e pensa e ama verdadeiramente Portugal. Eles detestam aqueles que, em circunstância alguma, se lambuzariam para rapar o pote.
    
      

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


LISBOA

                                         Lisboa gosta de farra,
                                         Festeja todos os santos.
                                         É como a leda cigarra,
                                         Não vai com choros e prantos.

                                                      Com ar triste canta o fado
                                                      - Faz parte da convenção –
                                                      Bebe um tinto, passa ao lado
                                                      E lá se vai a paixão.

                                                                Velha Lisboa querida,
                                                                Sempre leal e valente,
                                                                Sempre audaz e destemida
                                                                E ilustre resistente.

                                                Nas curvas mais apertadas,
                                                Faz das tripas coração.
                                                Vence! Águas passadas,
                                                Volta à sua vocação.

                                                                     Ora séria matrona,
                                                                     Ora mocinha garrida,
                                                                     Tratada por tu ou dona,
                                                                     É alegre e divertida.
in QUADRAS POPULARES, Ulmeiro, Lx., 2003

TERRAS DO MUNDO




CASCAIS
Uma cidade com uma orla marítima única
e com património para ser visitado.

TERRAS DO MUNDO



CASCAIS
Aqui, onde é quase indizível a beleza do mar

O FASCÍNIO DA QUADRA

Minha mãe ainda chora
Com saudades de meu pai.
Não tem dia, não tem hora,
Sem lamentos, sem um ai.

DO MEU DIÁRIO


Santa Iria de Azóia, 25 de Agosto de 2012 – António Borges, economista de nomeada, conselheiro de Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro de Portugal, falou há dias ao país do melhor plano para tratar da saúde à RTP. Fez a exposição numa estação de televisão privada e em entrevista concedida a uma profissional independente.
      Borges tem trabalhado para excelentes instituições e tem um currículo invejável. Trabalhou para o bondoso FMI e para a não menos bondosa Goldman Sachs, que têm ajudado os países desinteressadamente a resolver os seus problemas económicos e financeiros. A fama da instituição criada por Marcus Goldman ultrapassa em muito a do Brandy Constantino e diz quem sabe que governa o mundo, através dos bondosos mercados, sem os quais o mundo seria incomensuravelmente pior, porque não haveria esta ordem unipolar que toma conta de nós, exemplarmente. Borges tem trabalhado em excelentes casas, ou melhor dizendo, companhias.
     E se calhar – eu uso e abuso do se calhar, que sempre cai melhor na frase do que um supónhamos -, pediram-lhe que viesse para a lusa terra, a fim de poder pôr a sua larga experiência ao serviço da lusa gente. Não é ministro, mas é como se fosse, e, homem habituado a trabalhar muito, concilia duas actividades sumamente importantes, que são a de conselheiro do governo para as privatizações e a de consultor (?) no grupo que detém os supermercados Pingo Doce.
      Anda por aí um arruído desgraçado, só pela comezinha razão do senhor ter indicado os caminhos que, seguramente, são os melhores para a televisão pública, um sorvedouro de recursos, que os gestores privados, segundo Borges, saberão administrar melhor do que os gestores públicos. Eu não percebo este povinho e aqueles que pensam ter opinião, mas que só sabem descascar em quem ousa fazer bem. Haja decoro!