sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

INOLVIDÁVEL PARIS



Chamam-lhe a cidade luz,
Mas que luz tem a cidade?
Que fascínio seduz
Quase meia humanidade?

Oh, grande e bela Paris!
Oh, generosa cidade!
Não, não se engana quem diz,
Que deixas sempre saudade!

Um café no Luxembourg,
Descer o Saint Michel,
Os faquires no Baubourg,
Namorar na Torre Eiffel.

Confesso que fui feliz,
No tempo que lá vivi.
Oh, doce e gentil Paris,
Como é bom gostar de ti!

Barata, Manuel, QUADRAS POPULARES -UMAS SIM; OUTRAS QUASE, FolioExemplar,
Lisboa, 2012 



O PECADO DA GULA

Fêveras de porco com migas de espargos e salada

“O pecado da gula anda associado aos excessos de comida e de bebida. E é, indiscutivelmente, um dos pecados mais recorrentes nos países católicos, apostólicos e romanos e protestantes da Europa Ocidental. Poder-se-á dizer, para evitar discriminações obvias, que é o pecado mais recorrente de toda a Civilização Ocidental.

     Quando os portugueses reflectem acerca da vida e dos seus valores mais altos, dizem normalmente que não há nada melhor do que comer, beber e... passear. E se atentarmos na prática dos povos da União Europeia, verificamos, com muita facilidade, que todos incorrem no mesmo tipo de delito, à luz da doutrina da Igreja: os protestantes do Norte bebendo álcool em excesso, os católicos do Sul, comendo e bebendo excessivamente.

     No caso concreto do português comum, ainda que não conheça casos como os descritos por Rabelais no  Pantagruel ou por Garcia Marquez nos Cem Anos de Solidão, poder-se-á  dizer que se trata de um bom garfo e de um bom copo e a sua imaginação não tem limites: come bifes de atum, de espadarte, de porco, de peru e até de frango. Mas o verdadeiro português - o mais arreigado às tradições nacionais - adora sopinha de feijão e juliana, favas cozinhadas de todas as formas e feitios, feijoada à transmontana, grão com bacalhau e bacalhau cozinhado de trezentas e sessenta e cinco formas diferentes, nos anos comuns, rancho à transmontana, grão à campaniço, carne de porco à alentejana e... até cabra de chanfana, etc., porque a lista, podia ser mais exaustiva.

    No domínio das sobremesas refiro o vulgar arroz-doce, o pudim, a musse de chocolate, o leitinho-creme, o molotove, a tarte de maçã, a tarte de amêndoa, a torta de laranja, a torta de cenoura, as farófias, as tigeladas, a baba de camelo, as barrigas-de-freira e os suspiros.

     No domínio das bebidas, é como o Jacinto: ou branco ou tinto. De preferência muito e português. E para rematar um opíparo repasto - nada de uísques ou conhaques- uma bagaceira genuína, produzida por um parente, na província.

     Lidos ou ouvidos os últimos parágrafos, qual de vós, caros leitores ou ouvintes, não cometeu já o pecado da gula, pelo menos em pensamento? Qual de vós terá esquecido o resto da sobremesa que o colesterol e a diabetes desaconselha, do bagacinho que o Código da Estrada pune, do pastelinho que a linha reprime?

     Não falarei, por uma questão de decoro, das múltiplas acepções do verbo comer. Romanizados muito cedo, permanecemos irredutíveis seguidores desse grande povo que adorava o convívio e a mesa. Peço-vos encarecidamente que transmitais aos vossos filhos o gosto imoderado pela comida, para que jamais sejamos assimilados por hábitos alimentares estranhos à nossa tradição cultural. Confesso que sofreria imenso se visse os portugueses rendidos à cultura dohamburger  e da  Coca-Cola . O exemplo americano é paradigmático: grandes e desconformes físicos, passe a pequena redundância, mas um chocante desconhecimento no tocante ( conheço uma gaja dos impostos, que substitui tocante por tange, na prosa das circulares. Acode-lhe, Orfeu!) aos prazeres da mesa. Preservemos, pois, caríssimos concidadãos, o queijo da serra genuíno, as fêveras e a entremeada dos nossos porcos de montado; os rojões à moda do Minho e a carne de porco à alentejana; o vinho das nossas adegas particulares, porque esta é a forma mais autêntica de afirmarmos a nossa identidade nacional .  


15.12.2017 – De há muitos anos a esta parte, a direita compraz-se a entalar o PS com escândalos e mais escândalos. Sim, escândalos, por muito que Carlos César diga que se trata de episódios laterais à governação. Dir-se-ia que que não há festança onde não esteja a Constança.

     Mas quer-me parecer, no entanto, que o PS – sejam lá as razões quais forem -, tem medo de denunciar as malfeitorias levadas a cabo pelo PPD-PSD, nomeadamente, que forneceu sempre gestores públicos em abundância, deixando criar a ideia de que só aquele partido tinha e/ ou tem quadros competentes. Era bom lembrar e repetir até à exaustão a Marcelo e Santana Lopes, que foi o PPD-PSD o alfouvre de onde saíram Oliveira e Costa, Arlindo de Carvalho, Duarte Lima, Isaltino de Morais e outos, que a lista poderia ser exaustivamente aumentada. Ainda recentemente veio à tona o caso da TECNOFORMA, mas sobre o caso fez-se um silêncio doentio. Então aqui não há gente de direita - e da justiça e de outras magistraturas- que deva dar explicações e /ou pedi-las?

   A separação de poderes, tão convenientemente lembrada em certos momentos da vida nacional, é uma treta. Serve para o que serve e serve normalmente a gente de direita. Mas parece que a esquerda tem medo de confrontar a justiça com as suas doenças mais ou menos endémicas, mormente no que concerne à morosidade e a outro tipo de comportamentos. Às vezes, até parece que todos têm rabos-de-palha. Todos!, incluindo o PCP e o Bloco de Esquerda.


     Em democracia não deverá haver tabus e tudo deverá ser transparente. Se assim não for, estaremos perante um simulacro de democracia.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017


ESTE VERÃO
I
Este verão
parecia
não ter fim.
Solstícios
e equinócios
são agora
marcos
sem sentido.
II
Verão áspero,
Amor,
que secou
os rios
e as fontes.
Até nós,
adoradores do sol
e do calor,
esperámos,
ansiosamente,
a chegada
do outono.

NOVAS QUADRAS QUASE POPULARES
                                                              DE MANUEL BARATA

O culto da quadra surgiu em mim espontaneamente, ainda na adolescência, quando entrava nos despiques nos jantares dos casamentos. Era uma tradição da minha Mata natal e tinham por tema os noivos, os familiares, e as cozinheiras. Estava muito longe ainda de temas como a passagem do tempo, do amor e seu contrário, da alegria e da tristeza, da vida e da morte, etc. Um longo caminho foi percorrido, num interim de cinquenta anos..



Que as suaves brisas
te dispam serenamente,
p' ra que as lindas cores
das folhas envelhecidas
possam por mais tempo
minha alma encantar!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

NOVAS QUADRAS QUASE POPULARES




18.11.2017 – A apresentação de “NOVAS QUADRAS QUASE POPULARES”, na Casa da Cultura, em Santa iria de Azóia, decorreu dentro da normalidade, ou seja, bem. Cerca de quarenta pessoas e um “apresentador” culto, José Morais, que motivou a assistência.
Falou-se abundantemente da quadra popular e de alguns dos seus cultores e de poesia, em geral. Foi bonito, tendo o Presidente da Junta de Freguesia lançado o repto para se organizarem sessões para discutir e debater matérias de índole cultural.