POSSIBILIDADE DE AGUACEIROS
Já li e reli POSSIBILIDADE DE AGUACEIROS de João de Sousa Teixeira, um poeta albicastrense que já comemorou quarenta anos de vida literária, e fiquei com a nítida sensação de que este trabalho é, do princípio ao fim, uma verdadeira “ars poetica”. A arte poética de Teixeira, mas que pode ser também a arte poética de muitos outros cultores das musas.
Esta minha posição radica não só nas opiniões do próprio autor, que podemos encontrar nos primeiros poemas, nomeadamente em ARTE POÉTICA (pág.11), LEMBRETE (pág.13), VERSOS LAMPOS (pág. 19), etc.; mas, também, na permanente utilização da linguagem, ora com um carácter eminentemente lúdico, ora com um carácter mais grave e severo.
O sujeito lírico diz-nos em ARTE POÉTICA que “/…/poesia é remover a nata duma alsaciana” (V.2, Q.1 )/; comer-lhe, sôfrego, a cereja freudiana (V.3 , Q.1)/…/”. Estes dois versos são muito importantes, porque remetem para o modo de trabalhar do poeta e para a essência de toda a poesia. Na terceira quadra do mesmo poema, Teixeira evidencia o que denomina por “congénita inspiração” (V.1, Q.3); porém, retoma de novo a ideia de trabalho, quando escreve que “o poeta induz a douta orientação” (V.3, Q.3).









