sábado, 4 de maio de 2013

DO MEU DIÁRIO


Santa Iria de Azóia, 4 de Maio de 2013 – Descobri, finalmente, que fui um gastador inveterado. Mereço, portanto, todos os castigos do mundo. Nomeadamente os que a cabeça contumaz de PC achar por bem infligir-me. Esta manhã, quando procurava uma camisa para vestir, uma camisa de linho como convém nestes dias primaveris, descobri um quarteirão de gravatas no roupeiro, lisas e às pintinhas, de seda e às riscas, de muitas e variadas cores. Algumas já com ar “démodé” e que vieram do século passado, mas não importa, foram todas compradas depois do 25 de Abril de 1974, e isso é que é verdadeiramente grave.
     Bastava-me ter duas gravatas, uma para todas as festas e a preta para aqueles dias, para aqueles dias que todos sabemos. Mas não, comprador compulsivo, andei a gastar dinheiro pedido a juros ao BPN, que nunca cheguei a pagar, com o fito perverso de ter um quarteirão de gravatas, que, por acaso deixei de usar, até nos dias de maior solenidade.
     Mereço, pois, todos os castigos do mundo e também aqueles que a cabeça obsessiva de PC achar por bem infligir-me. PC, ou aquele amigo do coxo alemão, que, dizem por aí as más-línguas, ainda que não tenha sido eleito sequer deputado, é quem manda cá no rectângulo. Mas claro, isso é o que dizem as más línguas.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

LISBOA

Lisboa gosta de farra,
Festeja todos os santos.
É como a leda cigarra,
Não vai com choros e prantos.

Com ar triste canta o fado
- Faz parte da convenção –
Bebe um tinto, passa ao lado
E lá se vai a paixão.

Velha Lisboa querida,
Sempre leal e valente,
Sempre audaz e destemida
E ilustre resistente.

Nas curvas mais apertadas,
Faz das tripas coração.
Vence! Águas passadas,
Volta à sua vocação.

Ora séria matrona,
Ora mocinha garrida,
Tratada por tu ou dona,
É alegre e divertida.
IMPARÁVEL, O TEMPO TUDO TRAZ

Imparável, o Tempo tudo traz.
E leva. No seu giro permanente,
Sem alarde, mudanças fundas faz,
Não deixando ninguém indiferente.

Encoberto ou brilhando, o sol passa;
(É do grande relógio o ponteiro)!
Tem dias em que brinca com tal graça:
Alegre, cordial e prazenteiro.

O Tempo, ora severo, ora fagueiro,
Cava marcas e deixa cicatrizes,
Por toda a parte e em minha alma também.

Passa e volta a passar, tão sorrateiro…
E tudo nos revela – até as raízes… -;
É, sem dúvida, o grande justiceiro!

domingo, 28 de abril de 2013

SONETO

Ó serra acolhedora e maternal,
De onde emana bem-estar e fresquidão,
Tua beleza suave e natural
Causa-me permanente admiração!

Os meus olhos em ti poiso e descanso,
Descobrindo, aqui e ali, novidades.
(No mar, o pôr-do-sol! O teu remanso!)
Longe de ti, ó serra, as saudades

Depressa tomam conta dos meus dias!
Por isso quero estar perto de ti,
Arrábida, extremosa mãe de Gama,

Onde tanta alegria já senti.
Este fogo tão vivo, sempre em chama,
É o sinal verdadeiro de quem te ama.

sábado, 27 de abril de 2013

MARIANA ALCOFORADO
imagem da wikipédia

Era verão… E Mariana ardia,
Na fresquidão
laustros.
Caóticos,
Os seus pensamentos voavam,
Voavam sobre as montanhas,
As planícies e os rios.
Em vão procuravam
O cavaleiro Chamilly.
De seus olhos negros,
Lágrimas apaixonadas caíam.
Lágrimas sentidas,
Que Chamilly jamais veria.
E na fresquidão dos claustros
Mariana ardia… ardia…

sexta-feira, 26 de abril de 2013

QUADRAS DE A-BEM-DIZER

Corre a vida de feição
À canalha do costume;
Quem trabalha não tem pão
Nem cavacos para o lume.

Com a troika em Portugal,
A pedido de Gaspar,
Já me cheira tudo mal,
Já não posso respirar.

Vou cavar deste país,
Que esta gentinha é brutal;
Ai, tudo o que faz e diz
Traz dentro a marca do mal!

Vou de novo pra Paris
E fico por lá de vez.
Com estes tratantes vis
É ‘ma arte ser português.

Esta gente rasca e rara,
Que governa Portugal;
Tem o gozo, tem a tara
De nos tratar sempre mal.

Esta gente tinta e três
Não gosta da sua terra.
Por vingança e mesquinhez
A nossa Pátria enterra.






SONETO

Não sei o que farei com tanto amor,
Se partir for a tua decisão.
Desmedida será, decerto, a dor;
Letal será, decerto, a solidão.

Fazes-me falta, Luz, fazes-me falta   
Para iluminar meus cansados dias.
Meu pobre coração no peito salta
E não mais terá paz nem alegrias.

Meu luto aqui farei, inconformado.
- Quem pode aceitar tal destino, amor? -
Não partirei sem ter chorado a mágoa

De me deixares triste e inconsolado.
Não partirei sem ter chorado a dor,`
Ó amada!, ó causadora desta frágua!