quinta-feira, 11 de abril de 2013

ANTÓNIO MACHADO


       CAMPOS DE CASTELA

XXIX

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más:
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 12 de Abril de 2013 – Acabei, ontem, a revisão do RABECÃO do meu amigo A. Sapateiro.  Para este livro de memórias hei-de, num dos próximos dias, escrever o prefácio.
imagem da wikipédia
     É uma livro sobre a Guerra Colonial em Angola, onde o meu amigo A. Sapateiro participou activamente, na qualidade de furriel comando. É o testemunho de um homem que viveu intensamente a guerra, participando em complicadíssimas acções de combate. E não há aqui qualquer redundância. Há quem tenha vivido intensamente a guerra a partir de postos de comando (PC).
     O livro vale por três qualidades que passo a enumerar: o testemunho da dureza sobre-humana dos cursos de instruendos na antiga lusa colónia de Angola, a descrição da “EMBOSCADA” das emboscadas, algures no Leste e perpetrada pelo MPLA, e o testemunho da grande camaradagem entre os elementos daquela tropa de elite, chamada de “fatria” por A. Sapateiro.

terça-feira, 9 de abril de 2013

SONETO PORTUGUÊS

Mandantes de manhosos desconhecidos
Mandam o meu povo emigrar.
Vulgares predadores, sozinhos, querem
Tudo à pátria sofregamente sugar.
Arvoram-se, quais teólogos medievais,
Em donos de Portugal e da Verdade.
Crêem ter descoberto a pedra filosofal
E gritam como doidos: privatizar.
Estranha gente está ao leme deste navio
- Gente sem ciência e humanidade -,
Por mesquinhos interesses movida!
Tudo suga de supetão, vorazmente,
E tal é a estupidez, cegueira ou atrevimento
Que sugere ao povo a porta de saída.
FEDERICO GARCÍA LORCA

ALBA

CAMPANAS de Córdoba
en la madrugada.
Campanas de amanecer
en Granada.
Os sienten todas las muchachas
que lloran a la tierna
soleá enlutada.
Las muchachas
de Andalucía la alta
y la baja.
Las niñas de España,
de pie menudo
y temblorosas faldas,
que han llenado de luces
las encrucijadas.
Oh, campanas de Córdoba
en la madrugada,
y oh, campanas de amanecer
en granada!

Poemas do "Cante Jondo"
RAFAEL ALBERTI


CANCIÓN 5
Versos largos, versos largos,
caminos interminables,
pies y pulmones cansados.

Me basta una sola línea
para la risa o el llanto.
Ya basta me sobra esa línea
para el llanto.

Cuando una lágrima corre,
o dejo correr en blanco.


CANCIÓN 6

Ya no me importa ser nuevo,
ser viejo ni estar pasado.
Lo que me importa es la vida
que se me va en cada canto.

La vida de cada canto.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O DILÚVIO
Bem vistas as coisas, tudo filtrado pelo inexorável tempo – ah, essa misteriosa entidade, que protege todos os déspotas! -, a vida decorria sem inquietações, até ao dia do dilúvio que devastou a nossa frágil casa e nos trouxe horas e mais horas de infindável sofrimento e desespero.

Eu quis ser firme e decidido como os antigos generais e aguentar-me à tona das águas e ser paciente e acreditar que tudo teria uma solução. Destruída a casa, perdida a caixa onde guardara todos os sonhos, senti-me triste e fraco e deixei que as lágrimas aumentassem o caudal das águas.
De certa maneira - prefiro a expressão francesa “dans un certain sens” -, senti o desespero dos bíblicos judeus na antiquíssima Babilónia; porém, nunca fiz promessas nem implorei a Deus.
 As águas baixaram e a casa há-de reconstruir-se. Tento, denodadamente, encontrar a caixa onde guardara todos os sonhos.

AS PALAVRAS

Calhou-me em sorte ter de folhear dicionários. De palavras tem sido feita a minha vida. Com elas tenho feito o que a imaginação me permite, pouco, certamente, mas tento dar-lhes, sempre, a leveza das frescas brisas estivais e permitir-lhes os mais ousados voos.
     Um dia disse, com papal solenidade, urbi et orbi, que com as palavras tudo faço: pinto o céu, pinto árvores, pinto frutos, pinto ruas e pinto casas. Às vezes, muitas, até pinto a manta. As palavras são o barro, a tinta, o mármore, a madeira - não deixarei aqui um preguiçoso etc. – com que vou recriando o mundo.
Com elas digo, todos os dias, a alegria, a esperança e o afecto; sem elas, não sei o que de mim seria. Outro seria, certamente.