terça-feira, 9 de abril de 2013

FEDERICO GARCÍA LORCA

ALBA

CAMPANAS de Córdoba
en la madrugada.
Campanas de amanecer
en Granada.
Os sienten todas las muchachas
que lloran a la tierna
soleá enlutada.
Las muchachas
de Andalucía la alta
y la baja.
Las niñas de España,
de pie menudo
y temblorosas faldas,
que han llenado de luces
las encrucijadas.
Oh, campanas de Córdoba
en la madrugada,
y oh, campanas de amanecer
en granada!

Poemas do "Cante Jondo"
RAFAEL ALBERTI


CANCIÓN 5
Versos largos, versos largos,
caminos interminables,
pies y pulmones cansados.

Me basta una sola línea
para la risa o el llanto.
Ya basta me sobra esa línea
para el llanto.

Cuando una lágrima corre,
o dejo correr en blanco.


CANCIÓN 6

Ya no me importa ser nuevo,
ser viejo ni estar pasado.
Lo que me importa es la vida
que se me va en cada canto.

La vida de cada canto.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O DILÚVIO
Bem vistas as coisas, tudo filtrado pelo inexorável tempo – ah, essa misteriosa entidade, que protege todos os déspotas! -, a vida decorria sem inquietações, até ao dia do dilúvio que devastou a nossa frágil casa e nos trouxe horas e mais horas de infindável sofrimento e desespero.

Eu quis ser firme e decidido como os antigos generais e aguentar-me à tona das águas e ser paciente e acreditar que tudo teria uma solução. Destruída a casa, perdida a caixa onde guardara todos os sonhos, senti-me triste e fraco e deixei que as lágrimas aumentassem o caudal das águas.
De certa maneira - prefiro a expressão francesa “dans un certain sens” -, senti o desespero dos bíblicos judeus na antiquíssima Babilónia; porém, nunca fiz promessas nem implorei a Deus.
 As águas baixaram e a casa há-de reconstruir-se. Tento, denodadamente, encontrar a caixa onde guardara todos os sonhos.

AS PALAVRAS

Calhou-me em sorte ter de folhear dicionários. De palavras tem sido feita a minha vida. Com elas tenho feito o que a imaginação me permite, pouco, certamente, mas tento dar-lhes, sempre, a leveza das frescas brisas estivais e permitir-lhes os mais ousados voos.
     Um dia disse, com papal solenidade, urbi et orbi, que com as palavras tudo faço: pinto o céu, pinto árvores, pinto frutos, pinto ruas e pinto casas. Às vezes, muitas, até pinto a manta. As palavras são o barro, a tinta, o mármore, a madeira - não deixarei aqui um preguiçoso etc. – com que vou recriando o mundo.
Com elas digo, todos os dias, a alegria, a esperança e o afecto; sem elas, não sei o que de mim seria. Outro seria, certamente.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

INSTANTES

 

Quando o sol –
O grande colorista de Cesário –
Inunda o dia
E os passarinhos
Dão concerto de piano
Nas roseiras
E nos arbustos
Do meu jardim,
Saboreio
Por vezes
A alegria.

É então
-Gozando as delícias da preguiça -
Que mais concordo com Adília.

O resto,
Obviamente,
É conversa.

in FRAGMENTÁRIA MENTE, 2009
DESENCONTRO

 


Sempre desejei
Um coração
De camponesa
Para gémeo do meu.

Só assim,
Pensava eu,
Poderia sentir,
Plenamente,
O olor
E o respirar
Da terra.

Outra coisa;
Porém, ditou
O poderoso destino.
E por isso
Vivo
O desatino
Dos desencontros.

Até um dia…
Ou talvez
Para sempre!

in FRAGMENTÁRIA MENTE, 2009

segunda-feira, 1 de abril de 2013

TÃO PUERIL ERA A CANÇÃO




Ir ao jardim da Celeste
E não apanhar a rosa,
Não é de varão, Celeste!
E será conduta honrosa?


Ir ao jardim da Celeste
E na rosa não tocar,
Deve ser triste, Celeste,
Boa razão pra chorar.


Ir ao jardim da Celeste,
pró giroflé-giroflá,
só pode ser bom, Celeste,
melhor, decerto, não há!


Se eu for ao teu jardim,
Deixa-me colher a rosa.
Deixa-me uni-la ao jasmim.
Celeste, linda e vistosa!