quinta-feira, 14 de março de 2013

MARÇO VAI PASSANDO

I
Março vai passando, lento,
Mas com muitas emoções.
O país vive o momento
Dos pulhas e dos ladrões.

Meu Portugal videirinho,
Onde tanto se labuta,
Tudo metes no cuzinho
De certos filhos de p.

Ergue a cabeça e explode,
Como naquele outro Abril
E verás que quem te f.
Vai de novo pró Brasil

Ou outro sítio qualquer,
Com a fortuna aumentada.
Até te leva a mulher,
Deixando-te cá sem nada.

II

Eu amo este belo país,
Que espera quem não vem.
Terra de gente infeliz
De olhar vago e sempre aquém.

Obediente aos tiranos,
Pouco preza a liberdade.
Passa séculos e anos
Muito atido à caridade.

Um povo quer-se viril
E capaz de fazer frente
Aos que por maroscas mil
O querem triste e indigente.

Eu sei que não fico bem
Em tão severo retrato.
Azar. Português também,
Não mereço melhor trato.



terça-feira, 12 de março de 2013

NESTA LÍNGUA


É nesta língua antiga
que tudo digo e sinto:
o rumorejar do mar
os teus olhos verdes
a transparência da água.

É nesta língua antiga...
COMO SALOMÃO
                                                 (inspirado nos Cantares)

Wikipédia
I

Só os deuses sabem,
 ó amada minha!,
como o meu coração se agita
e a minha alma rejubila,
quando entro em tua vinha
e saboreio os melhores cachos....

II

Só os deuses sabem,
ó minha amada!,
como é forte e doce o néctar precioso
que saboreio nos teus lábios.

Por isso quero ser, noite e dia,
ó minha amada!,
o guarda da tua vinha.


     CONTIGO LUTO
wikipédia

     Contigo luto, quotidianamente, embora saiba perdidas todas as batalhas. Outros mais sábios, e porventura mais ousados, me precederam nesta insana pretensão de querer derramar luz sobre as trevas; mas perseverei sempre, sempre lutarei para que um verso meu inscrito seja o grande memorial que hão-de construir às portas da grande cidade.
     Conversa trivial, bem sei, de simples humano, a quem falta a técnica do lapidador e a ligeireza dos pássaros. Mas lutarei até ao fim, ó distante posteridade, consciente de quão difícil é este combate!

sábado, 9 de março de 2013

8 QUADRAS

Os ministros do país
São gente com muita graça.
Zangam-se. Estala o verniz
E a bonomia passa.

O bom ministro Gaspar
Sabe contar muito bem.
Sabe ordenados cortar
E subir os preços também.

Não vou gastar mais latim
Com gente que não merece.
É por haver gente assim
Que Portugal empobrece.

Que venha Dona Isabel,
A princesa d’ Aragão,
Será boa garantia
Para os pobres terem pão.

 Que porra vem a ser esta
Que nos estão a arranjar?
Esta vida já não presta
E ainda vai piorar?!

Mentirosos, mentirosos!
Estes donos da cidade
Sobem o pão e o leite,
O gás e a electricidade.

Sobe o pão e sobe o leite,
O gás e a eletricidade.
Tudo sobe pra deleite
Da velhinha caridade.

Noutra quadra escrevi porra,
Mas é porra interjeição.
Uns mamam à tripa forra;
Eu registo a indignação.

DO MEU DIÁRIO

                                                                      Wikipédia

Santa Iria de Azóia, 9 de Março de 2013 – A democracia é o regime que nos tolera, enquanto não pomos em questão os detentores do poder. Quando o poder é posto em questão - e se sente ameaçado-, não hesita em recorrer a todos os expedientes para nele se manter. Cavaco resguarda-se nos contrafortes do Palácio; Coelho, Relvas e Gaspar, onde quer que vão, fazem-se acompanhar por muitos efectivos policiais. Que razões terão estas boas almas para temer o povo?
     Há uma força política portuguesa que gosta de se intitular de esquerda democrática. A auto-assumpção deste estatuto dá-lhe ousadia para se sentir no direito de considerar os restantes partidos à sua esquerda de não democráticos. E arroga-se o direito de governar, sozinha ou com os restantes partidos de direita, e intitulando-se todos do arco governativo.
    É estranha esta democracia em que apenas três partidos podem governar. Para se governarem, bem entendido, com é tradição e com as consequências que estão à vista. Um dos três partidos do chamado do arco da governação tem um sido um alfobre de sugadores sem escrúpulos deste pobre país. Mas os outros dois também, nomeadamente no que concerne à distribuição de tachos. E vultuosas remunerações e prebendas
     Pobre democracia a nossa, que, esvaziada de conteúdo económico e social, se tornou no feudo de inescrupulosos tachistas!
    



quinta-feira, 7 de março de 2013


2 QUADRAS


Decorrem tristes os dias,
Neste canto à beira mar.
E com estas manhãs frias
Isto tende a piorar.

 Venha depressa o calor
Que isto assim não pode ser.
Tanto frio! Que horror!
E os velhinhos a morrer.