quarta-feira, 3 de outubro de 2012


FALAR DE AMOR

1
Talvez um beijo,
Amor,
E outro
E outro ainda,
Possam serenar
Tanto desejo.

Talvez.

2
Não esperemos mais,
Amor,
Que os nossos lábios
E os nossos dedos
Já nos deram
Os necessários sinais.

Façamos tudo de novo.
Mais uma vez
E outra ainda,
Com a serenidade dos sábios.

Não esperemos mais.
   imagem net
INFÂNCIA REVISITADA 
Acontece-me agora, que os dias parecem correr mais calmos, revisitar amiúde a minha infância e as infindáveis brincadeiras que me ocupavam os dias. E, surpreendido, oiço, nítidos, os bruás dos diferentes locais onde cada grupo brincava.
     Bem sei que há muita fantasia nesta revisitação do passado, em que o pião foi o mais sofisticado de todos os meus brinquedos; porém, teve a imensa vantagem de me ter obrigado a convocar a imaginação, a mim e às outras crianças, a fim de inventar brinquedos e brincadeiras.  
     Agora que os dias correm pachorrentos, mas inelutavelmente a caminho do crepúsculo, surpreendo-me a sorrir, como se os anos não tivessem passado e nunca tivesse partido e deixado, definitivamente, a infância.
      E volto a ser feliz.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Gustave Doré (NET)

UM MOMENTO DE LUCIDEZ

´stou farto de Rocinante,
de rixas de espada e lança,
desta vida tão errante
do burro e de Sancho Pança

Eu vou para Toboso,
para junto de Dulcineia.
Lá tenho corcel fogoso
e deliciosa ceia.

UM BOM TINTO ARAGONÊS
imagem retirada da NET


Um bom tinto aragonês
Dá coragem e alegria.
Bebe tanto o português
E… é triste, quem diria?!


Dá coragem e alegria,
Na conta certa bebido.
Quem emborca em demasia
C’os burros é parecido.


Bebe tanto o português
Ao almoço e ao jantar,
Um copo de cada vez,
Aos golinhos, devagar.


E… é triste, quem diria?
Quem bebe com devoção,
Deve sentir alegria.
Tristeza? Tristeza…Não!



DO MEU DIÁRIO


Santa Iria de Azóia, 2 de Outubro de 2012 – Portugal é um país ocupado. Honra seja feita ao CDS-PP, que nunca, desde que está nesta coisa chamada governo, escondeu tal facto. E estando Portugal ocupado, ou seja, a mando de estrangeiros, não estranha que “a tal coisa” apresente lá fora as medidas que, antes de mais, devia dar a conhecer a todos os portugueses. E foi através de uma voz estrangeira, que os portugueses tomaram conhecimento de que os nossos mandantes já tinham apresentado as novas medidas de substituição da magnífica TSU.
     “Nós, a comissão europeia”, blá-blá-blá, já blá-blá-blá e Portugal vai receber até dia 8 de Outubro a tranche de financiamento prevista, blá-blá-blá! Ainda que o anunciante seja de nacionalidade portuguesa, falou na qualidade de representante dos tais credores que fazem o CDS-PP mandar o patriotismo às malvas, quando aceita que tem que falar baixinho, porque são os tais credores que mandam a maçaroca para alguns comprarem a massa e o feijão e outros aqueles carrões alemães em que os governadores se fazem transportar.
     Portugal é hoje um país ocupado, ainda que pertença a uma comunidade de quase uma trintena de estados, que deveriam ser solidários entre si e que no seu seio deveriam dirimir eventuais diferenças de opinião. Há, no entanto, três integrantes da comunidade que resolveram mandar e ditar para os restantes as suas decisões. Falo da Alemanha, da Holanda e da Finlândia, ou seja, de três países do norte que, à viva força, querem impor o seu “dicktat” aos países do sul, mandriões e gastadores.
     Esta EU, dividida em virtuosos e pecadores, não tem futuro, porque nenhuma EU com futuro poderá ser construída com as infâmias lançadas pelos “virtuosos” do contra os “pecadores” do sul. Ponto.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NÃO VENHAS, GEORGES!
    
     Não venhas, Georges!

     Que este país, Portugal, que outrora foi das naus e das frotas, é de novo a «apagada e vil tristeza» de que falava o Épico, onde só a mentira rende a par com a mesquinhez e a vingança.
    
     Não venhas, Georges!
    
Que este país, Portugal, a minha amada Pátria, é hoje um território ocupado por répteis e outros seres invertebrados, que tudo nos sugam e levam, vorazmente.
    
     Não venhas, Georges!
AQUI
    
 Desta colina onde moro avista-se o Tejo e a grande cidade; porém, na Primavera, eu prefiro andar no olival, por entre as ervas e os arbustos bravios, sorvendo-lhes a fresquidão e os aromas e ignorando o Tejo e a cidade.
     É nessas horas de abandono feliz, que rememoro Cesário Verde e os seus versos alexandrinos.
     E às vezes até parece que a fresquidão e os aromas se propagam também à minha humilde prosa.
    Ou, simplesmente, transparece.